A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgou um levantamento que aponta que cerca de 2 milhões de famílias no Brasil estão aptas a receber o Bolsa Família, mas não estão usufruindo do benefício.
Essa situação chama a atenção, especialmente considerando que o programa é uma referência no combate à desigualdade social no país. Apesar de ter alcançado um pico de 21,3 milhões de famílias beneficiadas em 2023, o número atual é de aproximadamente 18,9 milhões.
Demanda reprimida
O estudo da CNM, que será apresentado durante a Marcha de Prefeitos, revela que a redução de 2,4 milhões de famílias no programa não implica necessariamente em uma melhoria nas condições de vida da população. Existe uma demanda reprimida que abrange quase 2 milhões de famílias que ainda não recebem o benefício.
Essa situação é preocupante, pois representa cerca de 3,2 milhões de pessoas que poderiam ser atendidas. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro são os mais afetados, com 375,1 mil e 358,9 mil famílias, respectivamente, sem acesso ao Bolsa Família.
Em termos populacionais, isso representa 612,1 mil pessoas em São Paulo e 571,7 mil no Rio de Janeiro. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, destacou que essa defasagem no atendimento gera um custo adicional ao programa, estimado em R$ 1,5 bilhão.
Ziulkoski critica a redução dos recursos destinados ao Bolsa Família, que encolheram 0,97% em relação ao orçamento de 2025, totalizando R$ 157,5 bilhões. Ele argumenta que o governo federal não está cumprindo seu papel ao deixar quase 2 milhões de famílias sem assistência.
Segundo ele, a justificativa de que as famílias estão saindo do programa devido a uma melhora na remuneração não corresponde à realidade, já que muitas não estão recebendo o benefício por falta de pagamento.





