Uma nova estrutura industrial começa a mudar o ritmo de uma pequena cidade brasileira, trazendo impactos que vão além do que se vê de imediato. No entanto, o que chama atenção não é apenas o porte da obra, mas justamente o que ela promete gerar ao longo dos próximos anos.
A responsável por esse movimento é o Grupo Piracanjuba, que inaugurou no dia 30 de março uma megafábrica em São Jorge D’Oeste, no Paraná. A cidade, com cerca de 9,5 mil habitantes, passa a abrigar uma das maiores unidades do país no segmento de queijos.
O investimento total na nova planta industrial chegou a R$ 612 milhões, consolidando um dos maiores aportes recentes no setor. Ao mesmo tempo, a fábrica conta com 54 mil metros quadrados de área construída, reforçando o tamanho da operação instalada na região.

Capacidade impressiona e mira crescimento
A unidade já inicia suas atividades com capacidade para processar 1,2 milhão de litros de leite por dia. Esse volume, por si só, coloca a fábrica em destaque nacional, ampliando a presença da empresa em categorias estratégicas.
Inicialmente, a produção será voltada para manteiga e queijos, justamente produtos com forte demanda no mercado interno. No entanto, há um plano claro de expansão para itens de maior valor agregado, o que deve elevar ainda mais o alcance da operação.
Entre os próximos passos está a produção anual de até 6 mil toneladas de whey protein e 14,8 mil toneladas de lactose em pó. Esse movimento acontece porque cerca de 85% do whey consumido no Brasil ainda é importado, abrindo espaço para crescimento da produção nacional.

Empregos e impacto direto na região
A chegada da fábrica já começa a transformar a economia local com a geração de cerca de 250 empregos diretos. Esse número, embora inicial, representa um avanço importante para uma cidade de pequeno porte.
Durante a inauguração, o governador do Paraná, Ratinho Junior, destacou o papel da industrialização no desenvolvimento regional. Segundo ele, a proposta é justamente transformar a produção do campo em produtos industrializados dentro do próprio estado.
O projeto também reforça a ideia de crescimento contínuo, com geração de renda e fortalecimento da cadeia produtiva do leite. Até mesmo a possibilidade de novos investimentos futuros já é considerada dentro da estratégia da empresa.

Investimento estratégico e apoio financeiro
A construção da megafábrica teve início em dezembro de 2021 e contou com apoio do programa Paraná Competitivo. Além disso, houve financiamento do BNDES, no valor de R$ 499 milhões, viabilizando a execução da obra.
Para o presidente do grupo, Luiz Claudio Lorenzo, a nova unidade representa um avanço importante no modelo industrial da empresa. Ele destacou que o projeto busca reduzir dependências externas e posicionar a companhia de forma mais competitiva.
Fundada há 71 anos no município de Piracanjuba, em Goiás, a marca segue em expansão constante. Atualmente, a empresa conta com mais de 4,6 mil colaboradores, dez unidades fabris e 16 postos de resfriamento de leite.
Ao todo, são processados cerca de 7 milhões de litros por dia em suas operações. Em 2025, o faturamento alcançou R$ 12 bilhões, reforçando o peso da companhia no setor de laticínios no Brasil.





