Cientistas da Universidade Flinders, na Austrália, desenvolveram um método inovador para extrair ouro de celulares e computadores antigos. A técnica, publicada no periódico científico Nature Sustainability, visa oferecer uma alternativa sustentável à extração tradicional de ouro, que muitas vezes envolve o uso de substâncias tóxicas.
A mineração formal geralmente utiliza cianeto, uma substância altamente tóxica que, embora possa ser degradada, representa riscos significativos à saúde ambiental. Na mineração artesanal, o mercúrio é o principal responsável pela poluição, causando danos tanto aos mineradores quanto aos ecossistemas.

A nova abordagem química
O método desenvolvido pelos pesquisadores substitui o cianeto e o mercúrio pelo ácido tricloroisocianúrico, um composto comum em processos de higienização de água e cloração de piscinas. Quando ativado com água salgada, esse produto químico reage com o ouro, convertendo-o em uma forma solúvel em água.
Essa abordagem não apenas minimiza os riscos ambientais, mas também utiliza materiais amplamente disponíveis e de baixo custo. Para efetuar a recuperação do ouro da solução gerada, os cientistas criaram um sorvente polimérico rico em enxofre.
Esse material é capaz de isolar e remover o ouro, mesmo em misturas que contenham outros metais. A pesquisa demonstrou que métodos simples de lixiviação e recuperação podem ser aplicados a minérios, placas de circuito de computadores obsoletos e resíduos científicos.
A descoberta da nova técnica é especialmente relevante diante do aumento da produção de lixo eletrônico, que alcançou 62 milhões de toneladas em 2022, segundo o Monitor Global de Resíduos Eletrônicos da ONU. Esse volume representa um crescimento de 82% desde 2010 e, se as tendências atuais continuarem, estima-se que a produção atinja 82 milhões de toneladas até 2030.





