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O Brasil corre risco de ver um grande deserto se formar no país

Por Henrique Cesaretti
23/04/2026
Créditos: Freepik

Créditos: Freepik

Uma mudança silenciosa vem avançando de forma gradual, alterando características naturais e chamando a atenção de especialistas. No entanto, o que antes parecia um fenômeno distante passa a ganhar relevância, justamente por envolver impactos que podem transformar uma região inteira ao longo das próximas décadas.

O alerta foi apresentado durante a COP30, com base em um estudo do Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS). Segundo a análise, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem elevadas, até 99% do Nordeste brasileiro poderá apresentar clima árido ou semiárido até o final do século.

Estudo aponta avanço acelerado da aridez

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A pesquisa foi construída com o uso de 19 modelos climáticos globais, que apontaram que o processo de aridização já está em andamento. Mesmo em cenários considerados moderados, o avanço das áreas secas é tratado como inevitável, o que reforça a gravidade da situação.

Os dados indicam que até 57% do território pode se tornar árido até 2100, enquanto outros 42% devem evoluir para condição semiárida. Isso significa que praticamente toda a região pode sofrer mudanças significativas em sua estrutura climática e ambiental.

Além disso, regiões atualmente classificadas como subúmidas, como Inhamuns e Cariri, devem passar por mudanças ao longo das próximas décadas. Essa transformação afeta diretamente o equilíbrio natural, já que depende da regularidade das chuvas e da manutenção da umidade do solo.

Créditos: Freepik

Ceará aparece como área mais vulnerável

Dentro desse cenário, o Ceará surge como o primeiro estado a enfrentar impactos mais intensos, sendo apontado como epicentro do processo. Áreas como os sertões dos Inhamuns, Cariri e Jaguaribe devem se tornar semiáridas já nas próximas duas décadas.

Por outro lado, regiões litorâneas e serranas ainda apresentam certa resistência, mas tendem a se fragmentar com o passar do tempo. Essa mudança compromete a recarga dos rios e reduz a disponibilidade de água natural.

Os efeitos também atingem diretamente a agricultura e o acesso à água potável, criando um cenário de estresse hídrico que pode se tornar permanente. Até mesmo a biodiversidade local entra em risco diante dessas transformações.

Créditos: Divulgação/Prefeitura de Juazeiro do Norte (Cariri)

Soluções ainda dependem de ação imediata

Especialistas do CEPAS destacam que o futuro da região ainda pode ser influenciado por decisões humanas. A gestão eficiente dos recursos hídricos aparece como um dos principais caminhos para reduzir os impactos previstos.

Medidas como o uso de tecnologias de captação de água da chuva, sistemas de irrigação eficientes e reuso de água são consideradas fundamentais. Programas comunitários de armazenamento também são apontados como essenciais para garantir a sobrevivência das populações.

Além disso, a integração entre ciência, governos e sociedade civil será decisiva para evitar um colapso ambiental e social. Justamente por isso, políticas públicas voltadas à adaptação local ganham ainda mais relevância nesse contexto.

O relatório deixa claro que a desertificação não é inevitável, mas sim resultado das escolhas feitas ao longo do tempo. No entanto, sem ações imediatas, o Nordeste pode enfrentar secas prolongadas, perda de terras férteis e crises hídricas severas neste século.

Esse cenário reforça a urgência de medidas concretas, enquanto ainda há tempo de alterar o futuro previsto. Até mesmo ações locais podem fazer diferença, desde que haja coordenação e planejamento adequado.

A adoção de soluções práticas pode reduzir impactos e preservar ecossistemas importantes da Caatinga. Dessa forma, o avanço da aridez pode ser contido, evitando consequências ainda mais graves para a população.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Henrique Cesaretti

Henrique Cesaretti

Jornalista formado pela Universidade São Judas Tadeu (SP). Tem passagem pela Rede Minas de Televisão, além de sites esportivos como VerdãoWeb e SPFC.NET. Já atuou como correspondente para diferentes sites, com a redação de notícias.

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