A Organização das Nações Unidas (ONU) voltou a chamar a atenção para uma questão que afeta diretamente o futuro do planeta. Em um novo relatório divulgado nesta semana, a entidade afirma que a situação exige respostas rápidas e coordenadas, envolvendo governos, pesquisadores, empresas e comunidades costeiras.
O alerta está relacionado ao agravamento das condições dos oceanos. A terceira Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA-3) concluiu que diversos indicadores ligados à saúde marinha apresentaram piora significativa nos últimos anos, ampliando as preocupações da comunidade científica internacional.
O estudo reuniu mais de 550 cientistas e especialistas de 86 países. Os dados analisados se concentram principalmente no período entre 2018 e 2023, fazendo desta a edição mais extensa desde o lançamento da série de relatórios, em 2017.
Segundo o documento, houve avanço de problemas como o aquecimento das águas, a elevação do nível do mar, a perda de gelo polar, a redução da biodiversidade, a pressão sobre a pesca e o aumento da poluição marinha. Além disso, espécies vêm migrando para áreas mais frias em busca de condições mais favoráveis.
Entre os autores do relatório está Ronaldo Christofoletti, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para ele, o oceano segue sendo um importante regulador climático, no entanto, os sinais de estresse vêm se tornando cada vez mais evidentes e preocupantes.

Mudanças aceleradas aumentam preocupações
Os impactos também podem ser sentidos no Brasil. O relatório aponta maior vulnerabilidade das áreas costeiras, riscos para cidades litorâneas, pressão crescente sobre a pesca e a possibilidade de eventos extremos ligados ao Atlântico tropical se tornarem mais frequentes.
Outro destaque envolve a poluição por plástico e a sustentabilidade da pesca. O número de espécies afetadas por resíduos plásticos passou de cerca de 1,4 mil para mais de 4 mil, enquanto a parcela de estoques pesqueiros biologicamente sustentáveis caiu de 64,6% para 62,3%, reforçando a preocupação da ONU com o futuro dos oceanos.





