Os Estados Unidos, considerado o país mais rico do mundo com um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de R$ 162 trilhões, registraram em 2024 o maior número de pessoas sem-teto desde o início das medições oficiais. Foram contabilizados 770 mil indivíduos vivendo nas ruas, o que equivale a 23 pessoas a cada 10 mil habitantes.
O aumento é resultado de fatores complexos, incluindo a escassez de moradias acessíveis, disparidade entre salários e custo de aluguel, fim da assistência federal emergencial pós-pandemia e pressão demográfica causada pelo fluxo de imigrantes em busca de asilo.
A situação atinge especialmente famílias com crianças, que representaram cerca de 40% do aumento. Quase 150 mil menores de idade foram contabilizados sem acesso a moradia em janeiro de 2024.
O déficit habitacional é significativo: estima-se que existam apenas 35 moradias disponíveis para cada 100 famílias de renda extremamente baixa, obrigando trabalhadores com salário mínimo a manter múltiplos empregos para arcar com custos básicos de moradia.

Políticas públicas e medidas recentes
O governo federal, sob a presidência de Donald Trump, anunciou medidas que incluem prisões facilitadas para pessoas em situação de rua, reforço de patrulhas e transferência para centros de tratamento, especialmente em Washington DC.
A ordem executiva prioriza subvenções federais para cidades que aplicarem proibições sobre acampamentos urbanos e consumo de drogas, além de coleta de dados sobre pessoas com deficiência mental.
Especialistas e organizações da sociedade civil classificam a abordagem como simplista e insuficiente, destacando que criminalizar indivíduos sem moradia ou com problemas de saúde mental não resolve a questão estrutural.
A Aliança Nacional para o Fim dos Sem-Teto e pesquisas da UCSF apontam que a falta de moradia é multifatorial, envolvendo desigualdade econômica, acesso limitado a serviços sociais e históricos de discriminação sistêmica.









