Uma reviravolta impressionante chamou atenção após um período de perdas intensas no Sul do país, justamente quando um negócio tradicional viu sua estrutura ser destruída. No entanto, o cenário mudou rapidamente e abriu espaço para uma recuperação que pode ultrapassar os R$ 50 milhões em faturamento.
A história envolve a Café do Mercado, criada pelos irmãos Clóvis Althaus Júnior e Felipe Althaus, que descobriram o potencial do café em uma viagem à Califórnia em 1995. Ao voltarem ao Brasil, iniciaram uma pequena operação no Mercado Público de Porto Alegre, com venda de café moído na hora.
Da enchente à retomada
O momento mais crítico veio em 2024, quando uma enchente atingiu Porto Alegre e causou destruição nas operações da empresa. A fábrica e duas lojas foram diretamente afetadas, justamente por estarem próximas ao Rio Guaíba, o que ampliou o impacto da tragédia.
Os prejuízos foram altos e incluíram cerca de R$ 6 milhões em equipamentos industriais e mais de R$ 600 mil nas lojas. Ainda assim, a empresa manteve custos fixos como salários de mais de 80 funcionários, fornecedores e impostos, mesmo sem conseguir operar normalmente.
A retomada começou em poucos meses, até mesmo com adaptações emergenciais para manter o negócio vivo. As lojas do Mercado Público reabriram rapidamente, enquanto a produção passou a ser feita com apoio de parceiros em outros estados.

Crescimento após crise
O ano de 2025 marcou a recuperação financeira da empresa, com faturamento de R$ 46,4 milhões. No entanto, o cenário ainda exigiu ajustes, principalmente por conta da alta no preço do café no mercado global.
Esse aumento forçou a empresa a reajustar seus preços, o que acabou contribuindo para equilibrar as contas após o período de crise. Além disso, a expansão no setor B2B ajudou a fortalecer a receita e ampliar a atuação no mercado.
Outro fator importante foi a abertura de uma nova unidade no Shopping Praia de Belas, em Porto Alegre. O espaço havia sido negociado anteriormente com a Starbucks, que desistiu da operação no local.

Planos e projeção milionária
Com a estrutura restabelecida, a projeção para 2026 é ainda mais otimista e chama atenção no setor. A Café do Mercado espera atingir um faturamento de R$ 56 milhões, consolidando a recuperação após a enchente.
Os planos incluem novas cafeterias em Porto Alegre e também em Florianópolis, marcando a primeira expansão fora do Rio Grande do Sul. A empresa também negocia novos pontos comerciais para ampliar sua presença.
Atualmente, a operação conta com dois centros de distribuição e atende cerca de 1,5 mil clientes no Brasil e mais de 150 no Uruguai. Entre os parceiros está o grupo da chef Helena Rizzo, o que reforça a relevância da marca no setor.
Mesmo com o crescimento, a empresa ainda evita o modelo de franquias para não competir com clientes do B2B. Ainda assim, existe a possibilidade futura de criar uma nova marca voltada exclusivamente para esse tipo de expansão.





