O aguardado túnel submerso que ligará Santos e Guarujá começa a sair do papel como uma das obras mais ambiciosas da infraestrutura brasileira. Com investimento estimado em R$ 6 bilhões, o projeto promete transformar a mobilidade na Baixada Santista e resolver um problema histórico de deslocamento na região.
Ao todo, o trajeto terá 1,5 km de extensão, sendo 870 metros submersos, atravessando o canal com uma solução moderna e eficiente. Na prática, o impacto para a população será imediato: o tempo de travessia, que hoje pode levar cerca de 18 minutos de balsa ou até 1 hora pela estrada, será reduzido para apenas 2 minutos, ou seja, pelo menos nove vezes mais rápida.
Essa é uma demanda esperada há quase um século e que agora ganha forma por meio de um modelo de viabilização que reúne esforços públicos e privados.
A obra será realizada em um formato de parceria entre o Governo Federal, o Governo do Estado e a iniciativa privada. O contrato terá duração de 30 anos, incluindo todas as etapas: construção, operação e manutenção do túnel, garantindo sua funcionalidade a longo prazo.

Engenharia de ponta sob a água
O projeto utilizará a chamada tecnologia de túnel imerso, a mesma aplicada no Túnel Fehmarnbelt, considerada uma das maiores obras de infraestrutura da Europa. Nesse método, grandes módulos de concreto são construídos em terra, depois transportados por flutuação e cuidadosamente afundados até o leito do canal, onde são encaixados com precisão.
A escolha dessa tecnologia não foi por acaso:
- O solo da região é composto por argilas moles, inadequadas para escavações profundas
- A construção de uma ponte afetaria o tráfego de navios e a operação da Base Aérea de Santos
- O túnel reduz desapropriações e causa menor impacto ambiental e visual
A construção de um túnel sob um canal portuário ativo exige uma logística de precisão:
- Fabricação em Terra: Módulos de concreto gigantes são construídos em docas secas. Eles possuem câmaras de ar internas para que possam flutuar até o local de instalação.
- Preparação do Leito: Enquanto os módulos são feitos, o fundo do canal é escavado e recebe uma base de concreto e areia para garantir o nivelamento.
- Viagem e Imersão: Rebocadores levam os blocos até o ponto exato. Lá, a água é bombeada para dentro das câmaras, permitindo um afundamento gradual e controlado.
- Encaixe e Proteção: Sistemas hidráulicos e pinos de aço fazem o ajuste fino. Por fim, uma camada de pedras protege a estrutura contra correntes marítimas e impactos de navios.

Estrutura e Mobilidade
O túnel não é apenas para carros; ele foi desenhado para ser um modal completo:
- Capacidade: Seis faixas de tráfego com controle inteligente.
- Multimodalidade: Inclui ciclovia, passagem para pedestres e espaço reservado para um futuro VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
- Segurança: Monitoramento em tempo real e mecanismos integrados de proteção.
Além de melhorar a vida de milhares de pessoas, o túnel tem potencial para revolucionar a logística do Porto de Santos, ampliando a eficiência no transporte de cargas e fortalecendo a economia local e nacional.
Quando o túnel submerso ficará pronto?
O projeto do túnel entre Santos e Guarujá já tem um cronograma definido e detalhes de construção que mostram a complexidade e a modernidade da obra. Considerado um dos empreendimentos mais importantes da infraestrutura brasileira, ele será executado em etapas bem planejadas ao longo dos próximos anos.
A previsão é que as obras tenham início em 2027, marcando o começo oficial da construção do túnel imerso. Dois anos depois, em 2029, será realizada uma das fases mais delicadas do projeto: a instalação dos módulos de concreto no leito do canal, além da selagem das estruturas e da execução das obras de acesso que irão conectar o túnel às vias urbanas das duas cidades.
Já em 2030, o projeto entra na reta final, com a conclusão dos acabamentos, a instalação de sistemas operacionais e a realização de testes completos antes da liberação para uso.
A obra será viabilizada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), com participação do grupo Mota-Engil, e deve gerar cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia da região.





