O tenente-general americano Ben Hodges fez um alerta importante sobre a situação entre Rússia e Ucrânia. Segundo ele, se a comunidade internacional aliviar demais as exigências sobre a Rússia, o país pode avançar contra a Europa no futuro. Para o militar aposentado, isso é um risco real que não deve ser ignorado.
Hodges acredita que um tratado de paz só será eficaz se garantir que a Ucrânia tenha condições de se defender. Ele afirma que, se a Rússia for perdoada por crimes de guerra ou se o acordo enfraquecer a segurança ucraniana, o continente europeu pode enfrentar novas ameaças. A declaração foi dada em entrevista ao portal Meduza.
Para o general, a Ucrânia precisa ter liberdade total para fortalecer suas defesas e evitar novos ataques. Segundo ele, limitar a capacidade militar do país seria um erro estratégico. A prioridade, afirma, deve ser impedir que a Rússia volte a invadir o território ucraniano.
Um acordo mais duro para evitar novos conflitos
A proposta mais recente de tratado entre Rússia e Ucrânia traz condições consideradas mais favoráveis aos ucranianos. Entre elas, está a garantia de segurança semelhante ao Artigo 5 da OTAN, que prevê apoio militar em caso de ataque. O texto também impediria a Rússia de interferir em decisões internas da Ucrânia, como o tamanho de seu exército.
Antes disso, havia uma versão do acordo que limitava as Forças Armadas da Ucrânia a 600 mil militares. Esse documento, com 28 pontos, foi negociado apenas entre Estados Unidos e Rússia, sem participação da própria Ucrânia ou de países europeus. Por isso, muitos consideraram que a proposta atendia aos interesses do Kremlin.
Hodges critica esse tipo de negociação e reforça que a segurança da Europa depende diretamente da capacidade de defesa da Ucrânia. Para ele, ignorar esse fator seria abrir caminho para futuros conflitos no continente. O general considera fundamental que os países europeus levem a ameaça russa a sério.
Segundo ele, tanto a OTAN quanto a União Europeia precisam reconhecer que a Rússia vê o Ocidente como adversário. “A melhor forma de garantir que a Rússia nunca ataque um país da OTAN é ajudar a Ucrânia a derrotá-la”, afirma Hodges. Para o militar, esse é o único caminho para evitar uma crise ainda maior.





