Uma tendência inusitada tem chamado atenção nas redes sociais recentemente, movimentando comentários e curiosidade sobre um costume até então ligado apenas às crianças. No entanto, o uso de um objeto simbólico da primeira infância por pessoas adultas tem despertado questionamentos sobre os efeitos reais desse comportamento.
Vídeos mostram jovens na China e na Coreia do Sul colocando chupetas na boca para aliviar estresse, reduzir ansiedade ou até mesmo lidar com sintomas de abstinência do cigarro. A prática se tornou popular justamente por oferecer um alívio imediato, embora temporário.
A psicóloga e psicanalista Fabiana Guntovitch explica que o uso da chupeta na vida adulta pode refletir um movimento de regressão, no qual o adulto recorre a estratégias do passado para enfrentar pressões emocionais atuais. Isso, segundo ela, não substitui recursos internos mais maduros.
Maria Klein, também psicóloga, alerta que a prática pode gerar dependência psicológica. Para ela, recorrer a esse tipo de paliativo pode adiar a busca por formas mais efetivas de enfrentar a ansiedade, como a psicoterapia, que fortalece ferramentas emocionais duradouras.
Do ponto de vista físico, dentistas chamam atenção para os riscos. Sandra Silvestre, conselheira do Conselho Federal de Odontologia, lembra que a sucção prolongada pode alterar a posição dos dentes, causar desalinhamento e provocar desconfortos na mandíbula e na respiração.
Esses efeitos bucais podem exigir tratamentos longos com aparelhos ortodônticos. Especialistas destacam que o risco supera os benefícios momentâneos e que a prática pode trazer problemas de saúde que não valem a pena.

Ideia ainda não se consolidou no Brasil
No Brasil, ainda não existem chupetas voltadas especificamente para adultos com venda regulamentada. Isso levanta dúvidas sobre a segurança e a eficácia dos produtos que surgem no mercado internacional e acabam chegando às redes sociais.
Embora relatos nas redes sociais mencionem sensações de calma, a falta de comprovação científica e os riscos físicos e emocionais levam especialistas a recomendar métodos mais seguros, como psicoterapia e técnicas de relaxamento, em vez de recorrer a estratégias que podem trazer problemas.




